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Produção de frango muda o perfil do interior do Paraná

Uma grande cadeia produtiva foi formada nos últimos 40 anos para sustentar a avicultura de corte. A atividade viabilizou a pequena propriedade, gerou empregos, impulsionou a indústria e dinamizou as exportações paranaenses

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por Elvira Fantin 

 

O Paraná é líder nacional na produção de frango. Com 18.518 aviários ativos, que produziram 1,95 bilhão de frangos em 2020, e com 36 abatedouros, o Estado responde por aproximadamente 40% das exportações nacionais. O Brasil, embora seja o segundo maior produtor mundial, ficando atrás dos Estados Unidos, é o primeiro exportador. A produção tem como principais destinos China, África do Sul e Japão.

“Já passamos em soja e vamos passar no frango. Além das condições de sanidade que nos diferenciam, temos clima adequado, áreas disponíveis para expandir a produção de grãos e mão de obra farta, condições que os EUA não têm. Imagine se não tivéssemos essa carga tributária tão elevada e se as condições de logística fossem mais favoráveis

Irineo da Costa Rodrigues

presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná 

A atividade é grande empregadora de mão de obra no Paraná. São 69 mil empregos diretos e mais de 700 mil indiretos. Se forem considerados todos os elos da cadeia produtiva, estima-se que 1,2 milhão de paranaenses trabalhem em alguma atividade relacionada à produção de frango, o que representa praticamente 10% da população paranaense. Esses números tão significativos foram construídos nos últimos 40 anos, quando a atividade começou a se desenvolver, registrando um crescimento muito rápido e mudando totalmente o perfi do interior do Estado. “A avicultura paranaense é muito jovem. Antes dos anos 70, nada disso existia”, conta Irineo da Costa Rodrigues, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná –Sindiavipar e da LAR Cooperativa Agroindustrial, uma das principais produtoras de frango do Paraná, com sede em Medianeira, no Oeste do Estado.   

Estima-se que para cada emprego direto gerado no setor, outros 17 indiretos são criados em todos os elos da cadeia. Isso totaliza quase 1,2 milhão de paranaenses envolvidos na atividade, o que representa cerca de 10% da população do Estado.  

Segundo Rodrigues, o Paraná ganhou destaque em pouco tempo porque reúne as características ideais para a avicultura: mão de obra disponível e fartura de grãos, indispensáveis na alimentação das aves. Santa Catarina foi o primeiro colocado até os anos 2000. A partir daí, com a entrada forte das cooperativas e das integradoras, o Paraná superou o estado vizinho e lidera desde então. O presidente do Sindiavipar acredita que o Brasil, em pouco tempo, vai ultrapassar os Estados Unidos.  

Rodrigues comenta que as estradas no interior do Paraná são ruins e que o transporte rodoviário é caro. Deveríamos estar usando ferrovias, como nos Estados Unidos e na Europa”. Outro problema é o fornecimento de energia elétrica. “A energia não pode faltar e precisa ter estabilidade. Sem isso, o controle de temperatura nos aviários fica comprometido e as aves, que são muito sensíveis, podem morrer de frio ou de calor” diz Costa Rodrigues. 

A cadeia produtiva do frango não se limita à criação e ao abate. Envolve muitas outras atividades, entre elas a produção de grãos para alimentar as aves, fabricação de ração, produção de medicamentos veterinários, construção e manutenção de galpões climatizados e o transporte. Para o setor industrial, a avicultura é muito relevante. Criação e industrialização são dois elos dessa cadeia totalmente ligados porque o modelo de avicultura implantado no Paraná é o da integração. 

Os abatedouros fornecem os pintainhos de um dia para os integrados, um conjunto de pequenas propriedades rurais que ficam próximas às indústrias. Os integrados mantêm granjas climatizadas, onde os pintainhos são alimentados, crescem e engordam,  

transformando-se em frangos de corte que são transportados para o abatedouro da empresa que forneceu os pintainhos, a ração e a assistência técnica.  

GENÉTICA, NUTRIÇÃO E SANIDADE  

Não existe vantagem nem possibilidade de usar hormônios em criação de frango de corte, o que existe é genética e manejo. É o cruzamento industrial, aliado à nutrição de qualidade e controle rigoroso da sanidade.

Inácio Kroetz

diretor executivo do Sindiavipar 

O médico veterinário Inácio Kroetz, diretor executivo do Sindiavipar, destaca que o sucesso da avicultura de corte do Paraná se deve a um tripé: genética, nutrição e sanidade. As aves matrizes, que põem os ovos férteis que geram os pintainhos, são resultado de seleção genética, com o cruzamento dos melhores exemplares das mais promissoras linhagens. O veterinário desmistifica a crença popular de que o frango de corte recebe hormônio para crescer, engordar e fornecer cortes nobres.  

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